Aranhas

Imagem: Techuser (Creative Commons)
Biologia da aranha
No ambiente urbano é possível encontrar muitas espécies diferentes de aranhas que vivem dentro de casas e em ambientes de trabalho e que, em sua maioria, são inofensivas para os humanos. No entanto, existem três gêneros de aranhas sinantrópicas que podem causar sérios problemas de saúde, apesar de não serem vetores de doenças. A aranha-marrom (gênero Loxosceles), a aranha-armadeira (gênero Phoneutria) e a aranha-viúva-negra (gênero Latrodectus) podem ser encontradas no município de São Paulo e são consideradas de importância médica, pois o veneno delas pode causar sérios problemas.
As aranhas, no geral, possuem um corpo com 8 pernas, 2 pedipalpos e 2 quelíceras, que são utilizadas para a manipulação de alimento e para a inoculação de veneno nas presas. Elas também possuem aproximadamente 8 olhos e órgãos para a produção da seda da teia, denominados fiandeiras. Esses animais são carnívoros e sua dieta se baseia principalmente em insetos e outros invertebrados, mas podem também se alimentar de pequenos pássaros ou roedores. Em sua maioria, são noturnos e habitam locais escuros e úmidos com fácil oferta de alimento, como cantos de paredes, armários e sótãos, entre outros.
Aranha-marrom (Loxosceles spp.): Conhecida também como aranha-violinista, é bem pequena (3cm), mas possui veneno muito nocivo, com capacidade de causar necrose e problemas na circulação sanguínea. Esse animal tem cor marrom em todo o corpo e possui apenas 6 olhos, diferente da maioria das aranhas, que possui 8. É uma espécie bem adaptada ao ambiente urbano, habitando vãos entre móveis, garagens, porões e armários. Ela tem capacidade de criar teias irregulares e pegajosas.
Aranha-armadeira (Phoneutria spp.): Também conhecida como aranha-de-bananeira, tem aproximadamente 15 cm de envergadura e coloração em tons de marrom por todo o corpo, podendo apresentar manchas brancas. Suas quelíceras têm cor avermelhada e podem inocular um veneno neurotóxico. As espécies desse gênero são chamadas de armadeiras devido a seu hábito de se “armar”, apoiando-se nas patas traseiras e erguendo as frontais em momentos que se sentem ameaçadas. Essas aranhas não constroem teias para captura, por isso, é comum encontrar esse animal vivendo entre folhas no chão, em entulhos, materiais de construção e até mesmo dentro de sapatos.
Aranha-viúva-negra (Latrodectus spp.): O grupo inclui a viúva-negra, viúva-marrom ou viúva-amarela. São espécies com corpo pequeno (3cm de envergadura) e que possuem no seu abdômen uma mancha vermelha ou amarelada, geralmente em forma de ampulheta. Dentre as espécies desse gênero, a viúva-negra é a que possui o veneno mais potente e é considerada de importância médica, pois pode causar latrodectismo, uma intoxicação no sistema nervoso. Esses animais possuem hábitos noturnos e costumam viver em teias que podem construir em ambientes internos, em frestas, cantos de muros e entre móveis.

Proliferação de aranhas perigosas em ambiente urbano
A presença de aranhas em ambientes urbanos é comum e não indica necessariamente falta de limpeza no local, visto que esses animais procuram habitar locais escuros, úmidos e com fácil oferta de alimento. Dessa maneira, aranhas costumam viver em ambientes onde existem insetos e longe dos seus predadores naturais (pássaros, lagartixas, sapos e pequenos mamíferos). Além disso, as aranhas sinantrópicas desempenham papel ecológico importante no controle de pragas e animais vetores de doenças, como baratas e outros insetos.
No entanto, a presença de aranhas perigosas para o humano pode ser um sinal de alerta. As aranhas, quando se sentem ameaçadas, podem se defender utilizando suas quelíceras e inoculando veneno nas pessoas, causando acidentes que podem levar até à morte caso a vítima não busque cuidado médico. Para evitar esses acidentes, é preciso evitar o contato direto e impedir a proliferação desses animais dentro dos ambientes que frequentamos.
Em caso de acidente, lave o local com água e sabão e procure imediatamente atendimento médico (Hospital Vital Brazil, no Instituto Butantan). Se possível, leve o animal que picou ou uma foto dele. Não realize procedimentos caseiros.
Prevenção
A fim de evitar acidentes com aranhas perigosas para o humano, é preciso prevenir a entrada desses animais nas unidades do campus. Dessa forma, podemos tomar algumas medidas preventivas, como:
- Manter jardins e garagens sempre limpos e organizados. Dessa forma, as aranhas não irão se proliferar nesses locais.
- Limpar atrás e embaixo de móveis. Se possível, passe aspirador de pó embaixo de móveis e atrás de quadros.
- Fechar bem as frestas e buracos. Isso impede que aranhas fiquem abrigadas nesses locais.
- Retirar materiais do chão. Entulhos e materiais de construção devem ser descartados em locais adequados. O acúmulo desses materiais no chão cria um ambiente favorável para a proliferação de aranhas.
- Controlar a presença de insetos. Evitando a proliferação de insetos, evita-se também a proliferação de aranhas, que costumam habitar locais onde podem se alimentar deles.
- Colocar telas em janelas, em ralos externos e proteção em soleiras. Isso evita a entrada de aranhas nas unidades do campus.
- Examinar bem calçados e roupas antes de usá-los. As aranhas podem se esconder em peças de roupas; por isso, é importante verificar se o animal está lá antes de se vestir.
- Afastar móveis das paredes. Manter camas, berços e sofás levemente afastados da parede evita que a aranha suba nesses móveis.
Para retirar esses animais do local, utilize um copo e um pedaço de papel firme ou utilize um cabo comprido para afastar o animal, levando-o até um local afastado, como um jardim. Caso identifique uma infestação, contate o órgão responsável da sua região.
REFERÊNCIAS:
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Aranhas. Disponível em: <https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/controle_de_zoonoses/animais_sinantropicos/4470 >. Acesso em: 8 dez. 2025.
INSTITUTO BUTANTAN. Aranhas em casa, na escola, no transporte: devo ter medo delas? Disponível em: <https://butantan.gov.br/bubutantan/aranhas-em-casa-na-escola-no-transporte-devo-ter-medo-delas >. Acesso em: 8 dez. 2025.