Baratas

Imagem: Erik Karits (Pexels)
Biologia das baratas urbanas
As baratas encontradas em ambientes urbanos representam apenas uma pequena parte da diversidade desse grande grupo de insetos. Dentre as espécies urbanas, a Periplaneta americana e Blattella germanica são as mais comuns de serem encontradas, e normalmente são chamadas de barata-de-esgoto e barata-alemãzinha. No entanto, é preciso tomar cuidado e evitar contato com esses animais e com alimentos contaminados por eles, pois as baratas podem ser vetores de doenças e prejudicar nossa saúde.
As baratas urbanas possuem hábitos noturnos, momento em que saem de seus abrigos e vão à procura de alimento ou parceiros. Durante o dia, elas permanecem escondidas evitando contato com humanos e outros animais que representam risco à sua sobrevivência. Costumam viver em locais escuros e úmidos, sendo que a barata-de-esgoto prefere galerias subterrâneas e esgotos e a barata-alemãzinha escolhe locais próximos a alimentos, como fundo de armários, vãos de móveis e sob pias de cozinha.Todas as baratas são onívoras, ou seja, se alimentam de fontes vegetais e fontes animais. Porém, as espécies urbanas possuem uma dieta bastante diversificada, aproveitando-se de praticamente todo resíduo orgânico deixado pelos humanos.
Esses insetos podem viver de 9 meses (alemãzinha) a 3 anos (barata-de-esgoto) e seu ciclo de vida possui os estágios de ovo, ninfa e adulto. Os ovos são depositados pelas fêmeas em ootecas, estruturas semelhantes a cápsulas que possuem função de protegê-los. A seguir, cada ovo irá eclodir e dar origem a uma ninfa, uma forma imatura da barata adulta. A barata ninfa tem forma bem semelhante à barata adulta, mas não possui asas completamente desenvolvidas e não consegue se reproduzir. Durante essa fase, as baratas realizam várias mudas/ecdises, processo no qual insetos trocam exoesqueleto (esqueleto externo) para conseguir crescer. Por fim, após o desenvolvimento completo das ninfas, que pode durar de 2 a 18 meses, as baratas chegam à fase adulta, quando irão se reproduzir e recomeçar o ciclo.

Proliferação de baratas em ambientes urbanos
As baratas, assim como outros animais que habitam o meio urbano, podem ser vetores de doenças, ou seja, podem carregar microrganismos como bactérias, fungos e vírus que podem transmitir diversas doenças para a população humana. Salmonelose, gastroenterite, hepatite, pneumonia e poliomielite são algumas doenças que podem ser causadas pelos patógenos disseminados pelas baratas. Esses patógenos podem ser transmitidos pelo contato com superfícies onde o inseto passou ou defecou, como utensílios de cozinha, ou pela ingestão de alimentos contaminados.
Destaca-se que baratas não possuem nenhuma doença transmissível, mas devido aos lugares onde andam (como esgotos e galerias subterrâneas) podem carregar microrganismos no corpo. Além disso, sua alta capacidade de proliferação torna mais fácil a disseminação de doenças.
Prevenção
Ao identificar a presença de fezes de baratas, ootecas, e “cascas” (exoesqueletos) deixadas após realizarem as mudas, podemos concluir que provavelmente o local em questão deve estar com infestação de baratas. Visto que uma barata urbana pode depositar cerca de 750 ovos durante sua vida, precisamos identificar onde há esses insetos e agir para retirá-los do local.
Inseticidas contra baratas podem torná-las resistentes, o que dificulta o combate a elas, além de ser um produto perigoso para animais domésticos e crianças. Assim, a melhor opção é prevenir a entrada desses animais nas unidades do campus e impedir que passem a habitar os locais onde frequentamos.
Para isso, é preciso tomar algumas medidas preventivas:
- descartar resíduos corretamente: manter lixos bem fechados e não acumulá-los por muito tempo;
- Não jogar restos de alimentos em ralos de pia de cozinha;
- Vedar vãos, frestas e lugares escuros e úmidos que podem servir de abrigo para as baratas;
- Colocar ralos abre-fecha e telas em janelas para impedir a entrada desses animais nas unidades do campus;
- Limpar frequentemente locais onde pode ter acúmulo de gordura e restos de comida como pias de cozinha, microondas, fornos e fogões;
- Inspecionar periodicamente armários, gavetas e caixas onde podem ter ootecas ou baratas escondidas;
- Guardar restos de comida em recipientes bem fechados e de preferência na geladeira;
No entanto, precisamos sempre lembrar que apesar de apresentarem risco à saúde, as baratas urbanas ainda realizam seu papel ecológico e são importantes para reciclagem de detritos, auxiliando na obtenção de nutrientes por plantas, por exemplo. Além disso, são alimento para outros animais como lagartixas, morcegos, formigas e escorpiões, por isso, são relevantes para conservação da população desses animais.
REFERÊNCIAS:
CAVALIERE, I. Urbanas ou silvestres, baratas! Invivo,2021. Disponível em: <https://www.invivo.fiocruz.br/biodiversidade/urbanas-ou-silvestres-baratas/ >.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Baratas. Prefeitura de São Paulo, 2019. Disponível em: <https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/controle_de_zoonoses/animais_sinantropicos/4487 >.