Escorpiões

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Biologia do escorpião

Os escorpiões são aracnídeos que podem estar presentes nos ambientes que frequentamos e causar diversos problemas para nossa saúde. No município de São Paulo, as espécies de importância em saúde pública são:  o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), o escorpião-marrom (Tityus bahiensis) e o escorpião-amarelo-do-nordeste (Tityus stigmurus). Esses animais não transmitem nenhuma doença causada por patógeno, portanto não são considerados vetores, porém, são animais sinantrópicos e peçonhentos pois podem causar acidentes graves ao inocular o veneno do seu ferrão em humanos e animais domésticos.

Os escorpiões, no geral, podem ser identificados pela presença de 4 pares de pernas (como todos aracnídeos), presença de 2 pedipalpos (chamados também de pinças ou mão) e uma cauda com ferrão, onde há uma agulha (aguilhão) que inocula o veneno na sua presa.  Esses animais são predadores, e sua dieta nas cidades se constitui principalmente de insetos vivos e algumas aranhas, realizando um controle biológico de algumas pragas urbanas como as baratas. Para predar, utilizam seu ferrão com aguilhão na presa, que fica paralisada devido ao veneno inoculado.

O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie com maior número de óbitos. É possível identificá-lo pela sua cor castanha no corpo e amarela nas pernas, nos pedipalpos e na cauda, que possui uma mancha marrom no último segmento. Costuma habitar ambientes domiciliares e tem amplas distribuição na região sudeste. Se reproduzem por partenogênese, processo no qual as fêmeas conseguem gerar filhotes sem necessidade de um macho. Cada fêmea pode gerar cerca de 20 filhotes por ano. Essa espécie pode viver até 5 anos na natureza.

O escorpião-marrom (Tityus bahiensis) possui coloração escura em todo o corpo, com manchas mais escuras em regiões do pedipalpos e pernas. Os machos dessa espécie possuem pedipalpos volumosos e com um vão arredondado entre os dedos. Costuma habitar regiões rurais e não se reproduzem por partenogênese.

O  escorpião-amarelo-do-nordeste (Tityus stigmurus) é semelhante ao escorpião-amarelo, porém, possui uma faixa escura longitudinal que se estende por todo corpo, com exceção da cauda. Também pode se reproduzir por partenogênese, o que facilita sua distribuição pelo país. Essa espécie é típica da região Nordeste, mas se adaptou muito bem ao ambiente urbano e atualmente pode ser encontrada em diversos estados do Brasil.

Na natureza, podem habitar florestas tropicais, desertos e savanas, em locais escuros e quentes onde possam se esconder de seus predadores. Nas cidades, são encontrados embaixo de pedras, troncos, entulhos, em fendas e locais com acúmulo de resíduos descartados incorretamente, como terrenos baldios. Por isso, é importante conhecer esse animal e as formas para evitar que ele entre nas unidades do campus, prevenindo acidentes com escorpiões.

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Proliferação de escorpiões em ambiente urbanos

Os escorpiões, podem se defender utilizando seu ferrão para inocular veneno em pessoas, causando acidentes chamados de escorpionismo. Em regiões com condições sanitárias inadequadas, os acidentes são mais comuns, visto que esses locais são mais favoráveis para proliferação desse animal. Além disso, na primavera e verão, em meses mais quentes, há o aumento da população de escorpiões, por isso, os acidentes são mais frequentes nessa época.

Os venenos de escorpiões são neurotoxinas (afetam o sistema nervoso) que podem causar manifestações locais em acidentes leves e manifestações sistêmicas (afetam o corpo todo) em acidentes moderados e graves.

Algumas manifestações locais: 

  • dor intensa no local
  • vermelhidão
  • inchaço
  • sudorese local (suor)
  • parestesia (formigamento ou queimação)

Algumas manifestações sistêmicas:

  • vômitos 
  • aumento dos batimentos cardíacos
  • aumento da frequência respiratória
  • confusão mental
  • agitação
  • aumento da rigidez muscular

Se apresentar suspeitas de acidente com escorpião, lave o local com água e sabão e procure imediatamente atendimento médico (Hospital Vital Brazil, no Instituto Butantan). Não realize procedimentos caseiros.

Prevenção

Para evitar acidentes de escorpionismo, é necessário evitar que esses animais entrem nas unidades do campus e habitem os locais que frequentamos. Dessa forma,  precisamos tomar algumas medidas preventivas como: 

  • Controlar a presença de insetos. Evitando a proliferação de insetos, evita-se também a proliferação de escorpiões, pois os insetos são sua principal fonte de alimento.
  • Fechar bem as frestas e buracos. Isso impede que os escorpiões fiquem abrigados nesses locais.
  • Retirar materiais do chão, como entulhos e materiais de construção, e descartá-los em locais adequados. O acúmulo de materiais no chão, torna um ambiente favorável para proliferação de escorpiões. Ao manusear esses materiais, utilize luvas e sapatos fechados.
  • Colocar telas em janelas, em ralos externos e proteção em soleiras. Isso evita a entrada de escorpiões nas unidades do campus.
  • Examinar bem calçados e roupas antes de usá-los. Os escorpiões podem se esconder em peças de roupas, por isso, é importante verificar se o animal está lá antes de se vestir. 
  • Manter camas, berços e sofás afastados da parede. Dessa forma, evita-se que o escorpião suba nesses móveis.
  • Não manusear estes animais sem proteção. Se necessário removê-los, utilize luvas grossas e sapatos fechados. Se possível, contate um órgão responsável para fazer a remoção.

REFERÊNCIAS:

LEEV. ESCORPIÕES DE INTERESSE EM SAÚDE. Disponível em: <https://ecoevo.com.br/escorpioesisaude.php >.

INSTITUTO BUTANTAN. Escorpião Controle de escorpiões de importância em saúde. Disponível em: <https://publicacoeseducativas.butantan.gov.br/web/escorpiao/pages/pdf/livreto-escorpiao.pdf >.

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Escorpiões. Prefeitura de São Paulo, 2025. Disponível em: <https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/controle_de_zoonoses/animais_sinantropicos/4504 >.

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO. Plano de Vigilância e Controle de Acidentes por Escorpiões no Município de São Paulo. Prefeitura de São Paulo, 2019. Disponível em : <https://share.google/oDzJPev3zx6sZVRaR >.

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